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 :: A urbe sem etiqueta vira lenda urbana. ::

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AutorMensagem
Elaine
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Data de inscrição : 04/07/2009
Localização : Monterrey México - - - Sao Paulo Brasil

MensagemAssunto: :: A urbe sem etiqueta vira lenda urbana. ::   Qua Jul 08, 2009 3:23 am

A urbe sem etiqueta vira lenda urbana.

Nada como assistir a um espetáculo classudo. O duro é agüentar a pequenez dos espaços cênicos atuais.

Uns teatricos que vou te falar, mas o duro foi saber que justo naquele ao lado, havia ocorrido algo misterioso. Hoje com suas portas fechadas e apenas com lambe-lambes colados à suas portas de correr, ali, presenciando o crescimento ao redor, o teatro que ninguém quis mais.

O Teatro era para um público não maior que 50 pessoas era muito requisitado, pois em sua maioria os espetáculos ali eram intimistas (intimista! Definidos como: vulgarmente conhecido – algumas apresentações de grupos teatrais com escassos recursos financeiros) – que optam por minimizar ao máximo os adereços e figurinos, não sendo o caso obviamente de Denise Stoklos, mas isso não vem ao caso agora..., dizem que no início do ano de 1999 – quase na virada para 2000, um grupo formado por 6 atores, resolveu montar um espetáculo conceitual sobre educação para ir ao teatro, etiqueta mesmo. Algo inusual, porém como era cômico as pessoas acolheram no boca à boca e o espaço da platéia foi sempre preenchido até aquela fatídica noite.

Havia uma cena muito charmosa da perua loura, que acha no chão do teatro uma carteira e no meio da cena (encenada) fala educadamente, mas em alto e bom som:

_ Alguém perdeu alguma coisa? _ e a cena continua com o proprietário recebendo a carteira e de quebra um bom jantar com a loura, não jantando a loura, que era justamente o pano de fundo do contexto do espetáculo, relembrar as regras de boa educação e no mínimo da elegância tão esquecida.

Faziam-se filas enormes, o público vinha aos borbotões, ônibus da terceira idade, onde sempre uma desavisada na platéia levantava a mão e dizia ter perdido a dentadura, o marido, ou o peito postiço, enfim...coisas de públicos específicos.

O grupo se consagrou, recebeu prêmios pelo trabalho social que desenvolvera, os teatros ao redor, estendiam faixas de agradecimento pelo público ter voltado a ser mais educado, aplaudindo com sinceridade e dando feed backs construtivos, enfim, uma consagração, dado a casa cheia diariamente.

Dando continuidade a história, no decorrer do tempo a loura da carteira, personagem agitada, desentendida com a direção pede as contas e num acidente de automóvel em frente a teatro, tem sua cabeça tragicamente estraçalhada contra a sarjeta. Dureza.

Grupos consternados fizeram preces, acenderam velas, colocaram faixas, cartazes, mas a vida depois de dias, continuou.

Como sempre após tragédias e perdas.

O espetáculo ganhando novas cores, figurinos, até um certo patrocínio pela lei de incentivo, quando nessa noite de ante véspera de Natal, algo acontece.

No meio da cena, aquela em que outra loura pergunta se alguém perdeu alguma coisa, agora feita por uma ruivaça belzebu, alguém grita lá no fundo da platéia:

_ Euuuu!!! _ e lá vai o canhão de luz por sobre a senhorinha.

Todo mundo vira e dão de cara com uma senhora elegantérrima, que assiste ao espetáculo:

_ eu não perdi! Eu achei! E já levei pro achados e perdidos _ Risos e aplausos, comprovando a eficácia resultante da aula teatral sobre as regras da boa educação.

Levanta-se e descreve o objeto. Uma echarpe de seda lilás. A peca segue...

A senhora, então, no fim do espetáculo, observa a turba querendo sair tudo ao mesmo tempo pela portinha dupla... espera paciente, dada a grande educação que recebera e que por isso até, viera assistir e fazer parte desse espetáculo, concordando com as idéias ali expostas, mas percebendo que neste quesito as pessoas ainda precisam aprender a diminuir o passo, se não nesta, pelo menos em outras vidas. Ainda faltava a boa educação.

Vê então uma moça “plastificada”, botoquisada na área de achados e perdidos, pedindo a tal da echarpe.

A mocinha da chapelaria (um quadradinho recortado na parede, de onde saia uma luz fraquinha), nega veementemente que a echarpe estivesse ali.

A loiriça maquiada, desequilibra o salto atrás da velha senhora que neste exato momento entra no banheiro.

Corre a tempo de inquirir a senhora sobre a “pegadinha” e arruma os cabelos procurando talvez, uma câmera do Big brother por ali escondida...

Entra e quase derrapa na poça de líquidos no chão, misturados à papeis e toalhinhas e aos odores acres, cheios de feromônios, olha o primeiro Box e nada da velha, já irritada querendo a p... da echarpe de volta, tenta abrir a porta do segundo e nada...emperrada, força a barra e a porta se abre...

Até hoje não se sabe como a moça conseguiu sair dali de dentro com tanta rapidez e um salto 12 quebrado, mas, desde então nunca mais aquele teatro foi o mesmo.

Dizem que a loura do banheiro, agora sem a cabeça, anda com a echarpe pendurada no que restou do pescoço, vagando de Box em Box, dos banheiros - mas só nos teatros....e dizem ser a echarpe, lilás.


(um texto de Elaine )


Última edição por Elaine em Dom Jul 19, 2009 4:45 am, editado 1 vez(es)
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Vilma Piva
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Data de inscrição : 02/07/2009
Localização : Araras - SP

MensagemAssunto: Re: :: A urbe sem etiqueta vira lenda urbana. ::   Qua Jul 08, 2009 5:13 am

Elaine dos Céus,

rsrsrs...fico a imaginar o susto da madame vendo uma echarpe enrolada num tronco sem cabeça...rs affraid Vixêe!!
Uma beleza de conto super bem escrito, adorável!!
Traga sempre teus escritos que todos ganham com tuas criações.

Beijos Lindos,
Vilma☀
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Elaine
Amigo Bronze
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Data de inscrição : 04/07/2009
Localização : Monterrey México - - - Sao Paulo Brasil

MensagemAssunto: Re: :: A urbe sem etiqueta vira lenda urbana. ::   Dom Jul 19, 2009 4:44 am

Vilma,

ainda aprendendo, ainda vivencia, ainda experiencia...
mas uma gratíssima diversao, escrever tem sido uma alegria triste, assim como uma tristeza que agrega no final felicidade..um misto de razoes...


e como diz nosso querido Roberto, o Carlos....sao tantas emocoes!!!!!

gracias amiga por apreciar meus escritos e pelo prazer de suas palavras...

obrigado,

beijos ultra poéticos,

Elaine
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Marli Franco
Amigo Diamante
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Data de inscrição : 03/07/2009
Localização : São Paulo - SP

MensagemAssunto: Re: :: A urbe sem etiqueta vira lenda urbana. ::   Seg Jul 20, 2009 1:43 am

Elaine

Querida Poeta então aqui esta outro lado maravilhoso da escritora,eh!

Amei ler da primeira até a última linha o texto vai crescendo maravilhosamente.

Olha teatros são incríveis tem de tudo mesmo , agora o crivo da educação vai a cada apresentação perdendo as regras no empura.
Bem a vida assim rola na cochia e fora dela também.
O que mais adorei e me deverti muito em teu conto foi o salto 12 ,Elaine hilário a imagem tão bem descrita passou como um filme aqui na minha cabeça.

São tantos pontos instigantes que nem ouso falar , mas a tua criação é muito , muito boa querida.

parabéns!

um beijo de violetas e meu carinho
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MensagemAssunto: Re: :: A urbe sem etiqueta vira lenda urbana. ::   

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