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 ARRIBAÇÃS NO MEU JARDIM

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AutorMensagem
Damião Cavalcanti
Amigo Bronze
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Data de inscrição : 03/07/2009
Localização : JOÃO PESSOA - PARAÍBA

MensagemAssunto: ARRIBAÇÃS NO MEU JARDIM   Dom Jun 06, 2010 4:22 pm

05/06/2010 11:50:22

CRÔNICAS - Damião Ramos Cavalcanti


Arribaçãs no meu jardim


Vez por outra, eu via, pelas ruas de Itabaiana, homens vestidos dos seus troféus. Simples, calças de mescla sujas de barro, enfiadas em velhas botas arranhadas pelos gravetos da mata. Camisas brancas de mangas compridas, mesmo com a poeira e o cheiro de suor das últimas caçadas. No pescoço, um colar de arribaçãs, exibindo o resultado da habilidade no tiro. As coisas eram assim. Não havia IBAMA para atrapalhar as exímias pontarias. Entravam à loja do meu pai Inácio para oferecer-lhe aquela popular iguaria. “ – Matou muito?” Respondiam com disfarçada vaidade: “ - Que nada! As rolinhas andam se escondendo. Se não, o bornal ‘tava’ cheio.” Mesmo assim, em vez de vendê-las, num gesto de fartura, esbanjavam algumas delas: “ - Tome umas pra tira-gosto.” Eu já sabia que teria de sair correndo ao Alto dos Currais para minha mãe Lia prepará-las com “macaxeira, da mole”. Uma “comida de rei”. Entre um olhar e outro para as aves amarradas como se fosse corda de caranguejo, meu pai alisava os chumbos que carregava no braço esquerdo, atingido por descuido, numa das caçadas, nos tempos da Una de São José.
U
m dia, fui convidado pelo amigo Raul Xavier Filho para acompanhar o pai dele numa caçada de lambu, em Guarita, em Odon Sá. Pensei que não fosse vingar aquele convite de menino. Contudo, aconteceu, várias vezes, essa proeza de espiar, ao lado desses famosos caçadores, o lambu alçando voo do mato rasteiro e sendo derrubado com tiro certeiro da espingarda de cartucho. Sem palavras, as risadas diziam o sucesso dessa matuta olimpíada. Somente me abusavam os pedidos de silêncio do velho Raul, em tom de carão: “- Fique calado! Psiu!... Para vir, faça como o cachorro! Mudo!” O divertido era o apito, imitando o canto nambu. Saber como matar esta ave dava-me menos pena do que ver as rolinhas mortas, às vezes, já depenadas para facilitar a venda. Em segredo, alegrava-me quando perdiam o tiro, e o lambu levantava voo, subindo rápido, distanciando o barulho das asas, mostrando vida no céu.
H
oje, vejo, nos meus jardins, mansas arribaçãs catando pedra, desacostumadas com o espanto do tiro da pólvora e do chumbo dos caçadores. À tardinha, aproveitam as gotas d’água que sobram das flores, das plantas. Explica-me o meu vizinho, doutor Ivan Régis, que elas vêm de longe, fugindo da seca do sertão até ao litoral. São arribaçãs sertanejas, como pombo-correio, noticiando sinais de que para elas o mar já virou sertão.
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Vilma Piva
Amigo Diamante
Amigo Diamante
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Data de inscrição : 02/07/2009
Localização : Araras - SP

MensagemAssunto: Re: ARRIBAÇÃS NO MEU JARDIM   Qui Jun 10, 2010 7:13 am

Damião, querido Poeta/Cronista

Das caçadas com a espingarda de chumbo.... quanto do meu pai me lembro levando também um perdigueiro prá levantar as rolinhas.....um pequeno e ingênuo passatempo alegrando os finais de semana, num tempo que não se sabia que um dia também haveria agrotóxicos matando aves, peixes e outros animais. Um tempo que não se previa tantas queimadas, tantos exterminios de habitats naturais.

É triste pensar que já estamos vendo arribaçãs nos jardins de hoje para anunciar um futuro nada promissor.

Parabénssssssss por tua bela crônica.
Beijos Lindos,
Vilma
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ARRIBAÇÃS NO MEU JARDIM
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