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 :: Um trinco e uma tranca ::

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Elaine
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MensagemAssunto: :: Um trinco e uma tranca ::   :: Um trinco e uma tranca :: I_icon_minitimeSab Jul 04, 2009 11:36 pm

Um trinco e uma tranca

E lá fora a chuva continua a cair, forte e vigorosa e seu tilintar escorre na parede de tijolos à vista externa. Um raio puro, risca o céu ribombando sobre a Terra seu feixe de energia e pela janela de onde vemos dentro da loja, os rostos de inúmeros personagens retornam aos seus livros, saindo do espelho que os abriga, mas somente assim, em dias de trovões e tempestades....

Nem sempre fora assim.

Muitos anos se passaram até que esta cena pudesse ser vista pela visão humana, era no repassar do tempo que algumas coisas se demarcavam na alma daquele lugar – nem maldito – nem mágico - apenas meio encantado por passes e poções, em seus secretos feitiços. Havia mistura de personagens de tempos alheios, de mãos carnadas e mentes sãs. Uma coisa era certa, ali era um lugar muito esquisito para se estar durante a hora da bruxa.

Era assim que os mais antigos se referiam à meia hora antes e meia hora depois da meia noite, era nesse tempo incerto que coisas estranhas e aparentemente sem sentido aconteciam na loja de livros de Phárida.

Arquelau, mestre das letras escarlates, tinha por hábito a discrição e não envolvimento com as pessoas da vila. Era ermitão e todos sabiam disso. Havia como que um acordo silencioso entre todos os moradores da pequena cidade, falava o mínimo necessário, olhava sempre para frente e raramente saia, à não ser para compra de suprimentos. Sua vida era restaurar letras, consertar e manter à salvo os livros.

Cumpria a promessa feita à sua mentora Régia Phárida, a única mulher que dominava as artes da cura e da leitura de cartas. Como pitonisa, fora perseguida e agora entre tramas e obscuridade, vivia nas altas rochas, onde os que necessitavam, buscavam consolo e suas ervas medicinais. Não se envolvia no futuro, cuidava apenas do presente.

Orientara Arquelau para que mantivesse tudo conservado à espera daquele ou daquela que fosse dar continuidade ao trabalho, começado à centenas de anos antes, passando de geração á geração. Sem rostos.

Mantinha tudo absolutamente cuidado. Por vezes alguém da cidade entrava na loja apenas para olhar, Arquelau permitia.

Isso mantinha o equilíbrio ao redor.

Havia períodos em que ninguém surgia. Nessas épocas a lua era nova e escondida. Disfarçava-se sobre a sombra e ia ter nas rochas com Régia, trocavam informações e segredos sobre o Cosmos.

Voltava e mantinha a rotina espartana.

Apreciava sobremaneira os dias de chuva forte e contínua, nesses dias a poeira assentava e tudo parecia intensificar-se – inclusive o silêncio necessário para certos estudos.

E foi num dia desses, de chuva contínua, que o pequeno sinaleiro da entrada da loja soou. Arquelau, fecha cuidadosamente o manuscrito em estudo e percebe ser um forasteiro. Não distingue, pois a capa de rústica tecitura não permitia enxergar quem estava por baixo. A chuva torrencial sulcava a terra.

Destranca o trinco e ao adentrar a loja um cacho da mais pura e ruiva cabeleira explodindo sob a capa, desvelando uma jovem de traços delicadamente fortes. Em olhar obstinado, porém sereno, percorre a loja, percebe-se procurar alguma coisa.

Em silêncio, Arquelau a acompanha e esta vai diretamente à parede ao fundo da loja, olha-se no grande e antigo espelho.

Lá ao revelar-se perante o grande espelho ele se ilumina delicadamente, apenas para quem tem olhos... a espera, findara.

Arquelau, oferece alimento e água e após vestirem-se recobrindo seus rostos, caminha com a jovem pelas rochas e apesar da chuva encontram Régia à esperar por eles no alto da colina. Segue com eles à grande caverna.

Enquanto isso, na pequena loja de livros, algo inimaginado se inicia, uma trinca enorme se abre pela face brilhante do grande espelho e uma série de rostos e corpos fluídos desfilam pelo espaço revendo-se cumprimentando-se e sacudindo o pó de suas antigas roupas. Servem-se do licor único! que Arquelau mantém na garrafa de cristal por sobre a grande mesa de trabalho, juntamente com o único vaso coberto de frescas margaridas, único pedaço de cor e natureza permitido no ambiente. Um brinde é erguido. Um clarão enorme se faz. Algo no mundo foi mudado.

...................................................................................................

E lá fora a chuva continua a cair, forte e vigorosa e seu tilintar escorre na parede de tijolos à vista externa. Um raio puro, risca o céu ribombando sobre a Terra seu feixe de energia e pela janela de onde vemos dentro da loja, os rostos de inúmeros personagens retornam aos seus livros, saindo do espelho que os abriga, mas somente assim, em dias de trovões e tempestades...

Eliane....


Última edição por Elaine em Qua Jul 08, 2009 6:04 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: :: Um trinco e uma tranca ::   :: Um trinco e uma tranca :: I_icon_minitimeDom Jul 05, 2009 5:10 am

Elaine, querida Poeta

:: Um trinco e uma tranca :: Espelho_partido_lp
Lindissima criação!! Teu conto instiga e prende atenção totalmente durante essa bela trama mistica e envolvente. Parabéns pela criatividade sempre presente em você.
Tua cadeira cativa já está instalada na Casa do Poeta.

Beijos Meus,
Vilma
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Elaine
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MensagemAssunto: Re: :: Um trinco e uma tranca ::   :: Um trinco e uma tranca :: I_icon_minitimeDom Jul 05, 2009 8:44 am

Vilma querida!!!!!!

gracias pelo espaco e pelas preciosas palavras nesse primeiro conto publicado por mim!

Adorei a imagem que conseguiste!


Agradeco de coracao e vamos poetando que assim o mundo gira mais feliz! Gracias!

beijossssssssssss
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MensagemAssunto: Re: :: Um trinco e uma tranca ::   :: Um trinco e uma tranca :: I_icon_minitime

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